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Colposcopia

A colposcopia consiste na inspeção do colo uterino com a magnificação de microscópio apropriado (colposcópio) e uso de reagentes (ácido acético e solução de iodo) que destacam as áreas do colo com alterações, identificando características morfológicas diferentes entre lesões pré-malignas e malignas relacionadas à cor, margem e padrões vasculares; sendo esse seu principal objetivo. 

É um exame operador dependente, que demanda aparelhagem adequada e um executor bem treinado para a sua realização e que por isso não é um método isento de diagnósticos equivocados. Quando realizada por profissional capacitado permite identificar com precisão as lesões, benefício que se estende ao momento do tratamento onde procedimentos menos mutilantes podem ser realizados. Além disso, apresenta limitações como a presença de infecções vaginais no momento do exame e junção escamo-colunar (JEC) endocervical que dificulta a visualização da zona de transformação (ZT) em sua totalidade.

O entendimento do exame colposcópico depende do conhecimento histológico do colo uterino e das alterações ocasionadas pelo processo de formação neoplásica. Inicialmente é necessário saber que o colo uterino é revestido por epitélio escamoso pluriestratificado em sua porção ectocervical, assim como as paredes vaginais; que o canal endocervical é revestido por epitélio glandular de camada única e que há uma faixa transicional destes dois tipos de epitélio conhecida como junção escamo-colunar (JEC). Cada um desses epitélios guarda características próprias e se mostram de forma diferente ao exame colposcópico.

Quando aplicada ao rastreamento do câncer do colo uterino, apresenta elevada sensibilidade em discriminar colos normais de patológicos, com desempenho melhor do que o da citologia oncótica (Papanicolaou ou meio líquido) que é o método tradicional de rastreamento; sendo sugerido por alguns autores que a colposcopia seja sempre realizada juntamente com a citologia em vista dos melhores resultados obtidos. No entanto, sabe se que o uso geral e indiscriminado da colposcopia gera maior número de biópsias desnecessárias. 

Em 2011, o Ministério da Saúde (MS) juntamente com o INCA, lançou as Diretrizes para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero a fim de atualizar as recomendações padronizadas para o rastreamento e seguimento, sendo as indicações atualmente aceitas para a realização da colposcopia: 

•células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas (ASC-US) e Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LIEBG) que persistam em dois exames de citologia consecutivos com intervalo mínimo seis meses; 

•células escamosas atípicas de significado indeterminado, não podendo afastar lesão de alto grau (ASC-H); 

•células glandulares atípicas (AGC); células atípicas de origem indefinida, sendo necessária avaliação endometrial e de anexos;

•Lesão Intraepitelial de Alto Grau (LIEAG) ou Carcinoma Invasivo (CI).

Em 2012, a American Society for Colposcopy and Cervical Pathology (ASCCP) criou um manual de condutas para o manejo de pacientes que apresentavam alterações cervicais à citologia. A indicação da colposcopia por essa entidade foi definida como:

•alterações citológicas específicas, 

•citologias insatisfatórias persistentes (seja por sangramento, inflamação ou outro processo), 

•citologias negativas sem amostra representativa da zona de transformação (ZT) em pacientes com mais de 30 anos e HPV 16 e/ou 18 positivos (HPV de alto grau), 

•ASC-US persistente ou quando associado a testes de DNA-HPV positivos ou sugestiva de LIEAG, AGC, LIEBG, LIEAG, lesões suspeitas de câncer invasivo, e presença de células malignas na lâmina. 

•Outras indicações citadas foram: pacientes com alteração prévia na citologia e HPV positivo durante o seguimento, seguimento de pacientes tratadas por lesão de alto grau (NIC 2+), acompanhamento de pacientes expostas a dietilbestrol na vida intrauterina e avaliação de lesões palpáveis ou visíveis em colo, vagina ou vulva46

A colposcopia parece ser o exame mais indicado no manejo das pacientes com DNA-HPV de alto risco positivo, sendo empregada diante de qualquer tipo de alteração citológica. É importante ressaltar que mesmo apresentando risco aumentado de neoplasia intraepitelial cervical (NIC), pacientes com DNA-HPV positivo não apresentam indicação de colposcopia imediata, pois algumas lesões precursoras podem não ser visíveis na ausência de achado citológico positivo. 

Apesar da comprovada efetividade da colposcopia em rastrear lesões cervicais, o método não é muito bom em diferenciar lesões de baixo e alto grau, gerando um subdiagnóstico de lesões mais graves. Tal diferenciação é importante do ponto de vista clínico, pois é crítico distinguir-se quem se beneficiará apenas do acompanhamento de quem necessita de tratamento imediato. 

Por isso, para firmar o diagnóstico da lesão observada à colposcopia, são utilizados biópsia dirigida e estudo histopatológico (análise do material da biópsia por um médico patologista), ajudando assim, na decisão terapêutica. 

Por Dr. Orlando Freitas

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